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14
Julho 2017

Dia do Comerciante: Está difícil comemorar



Entidades de classe preveem crescimento tímido e admitem dificuldades Amanda Karolyne redacao@jornaldebrasilia.com.br Dezesseis de julho, próximo domingo, é o Dia do Comerciante, mas a categoria diz ter poucos motivos para comemorar, embora entidades de classe nutram expectativas quanto à recuperação do mercado. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista), o primeiro semestre de 2017 teve um crescimento de vendas de 2% em relação a 2016. A Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF), por sua vez, prevê que o ano pode fechar mantendo 2% a mais em comparação ao ano passado.

O diretor do Sindivarejista-DF, Geraldo de Araújo, explica que esse resultado leva em conta que o semestre teve datas comemorativas fortes, como a Páscoa e o Dia das Mães, mas ainda seriam insuficientes para movimentar o mercado. Araújo comenta que o segundo semestre chegou com promessas de vendas melhores. "Datas como o Dias dos Pais, o Natal e o Dia das Crianças incrementam as vendas", cita, demonstrando positividade quanto ao movimento. Portas fechadas José Carlos Magalhães Pinto, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL- DF), lembra que, mesmo com o crescimento de vendas, o número de lojas fechando é grande.

No primeiro trimestre de 2017 foram 199 estabelecimentos fechados (leia na página 17). Ele aponta ainda que as vendas caíram e estagnaram. "Você pode passar pela W3 Sul e ver a quantidade de lojas fechando e com placa de aluguel", comenta. Magalhães observa que o comércio demonstra sinais de que deixou de cair, mas o crescimento ainda é pequeno. Ele acredita que o cenário político seja o fator que mais atrapalha o varejo atualmente. "Você tem investidores que não querem investir por conta do quadro de hoje", acrescenta. O presidente da CDL-DF acredita que a estabilidade política vai trazer mais confiança à população.

"O varejo é resiliente", pondera. E aponta outros problemas que vieram a dificultar a vida dos comerciantes neste ano de 2017, como o racionamento e o fechamento das lojas e outros estabelecimentos. "Quando um bar está no dia de racionamento, ele não vai poder servir certas coisas e vai ter que fechar por aquela noite, fazendo com que o movimento caia", explica. Mas Magalhães insiste em esperar pelo segundo semestre para ver as vendas aumentarem. Espera por dias melhores Quem garante o próprio sustento no comércio acredita que o mercado flui melhor à medida que há mais negócios abertos.

Assim pensa o gerente da pizzaria Melhor Fatia (Asa Sul) Ubirailton Conceição Soares, 39 anos. Para ele, o movimento das vendas melhorou se comparado ao ano passado. Isso porque surgiu gente nova no ramo. "Quanto mais pessoas e lojas novas, melhor para o mercado", afirma. Ivete da Silva, 46, dona do salão Cortes e Cachos, também na Asa Sul, percebeu a queda no movimento. Tempos atrás, tinha cliente que fazia marcações quatro vezes no mês. Atualmente, as pessoas têm reduzido os gastos e a frequência no salão caiu pela metade. Para Ivete, as empresas que fecharam fizeram com que os clientes se afastassem.

"De tarde nosso movimento era enorme. Hoje já estamos quase parados", diz. Mas, mesmo assim, ela se mantém positiva de que o comércio vai aquecer as vendas ainda este ano. "A gente vai segurando como pode, até ver uma melhoria", frisa. O vendedor de livros Adrian Medeiros, 37 anos, assim como a maioria dos comerciantes, percebeu que as vendas diminuíram muito de um ano para cá. "O quadro político deixa as pessoas com medo de gastar", acredita. Entretanto, Adrian comenta que as pessoas ainda tentam sempre comprar um exemplar para colocar a leitura em dia. "Livros de literatura costumam ser bastante procurados", diz.

Augistinho Sehnem, 26 anos, gerente de uma padaria na Asa Sul, relata que o pior momento de vendas é nas férias. "Não tem muita demanda, mas mesmo assim continuamos com um pouco de esperança", conta. Visando chamar mais clientes, Augustinho explica que, em quatro anos de loja, eles sempre fazem festivais para incentivar os compradores. "Tem que correr atrás, não é?!", destaca. Levando a vida de comerciante um dia de cada vez, Maria das Graças da Silva, 65, continua tentando vender. Aos poucos, as mercadorias vão saindo. "Sempre vendemos, mas não é o suficiente", lamenta a mulher.

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